O mercado brasileiro de arroz acumula alta de 4,95% em setembro, com a saca de 50 quilos do grão em casca cotada a uma média de R$ 28,20 no Rio Grande do Sul. A recuperação tem como principais sustentáculos a atuação do governo (com a antecipação dos contratos de opção), o cenário internacional (após a quebra da safra indiana) e o excelente desempenho das exportações brasileiras.
Com um quadro de oferta e demanda apertado em 2009, as cotações vêm alternando momentos de alta de depreciação, em função de fatores pontuais. Neste mês, o mercado mostra-se firme, respondendo a antecipação dos contratos de opção de venda.
Entre abril e julho de 2009, a Companhia Nacional de Abastecimento ofertou contratos de opção que permitiriam a venda de 878,55 mil toneladas de arroz para os estoques do governo, sendo 794,64 mil para produtores e cooperativas do Rio Grande do Sul e 83,92 mil de Santa Catarina. Deste volume, no primeiro estado houve demanda para 634 mil toneladas (80% do total) e, no segundo, para 19,5 mil (23% do total).
Então, numa situação hipotética em que o exercício das opções fosse integral, o incremento dos estoques públicos seria de 657,18 mil toneladas. O vencimento, a principio, era para primeiro de outubro. Porém, para estancar a retração das cotações em agosto, o governo atendeu ao pedido de representantes do setor produtivo e abriu a possibilidade de exercício em primeiro de setembro.
Assim, os produtores têm a possibilidade de vender ao governo a R$ 29,85 a saca CIF armazéns da Conab em setembro, ou a R$ 30,25 no início de outubro. Apesar da atual recuperação, comparado ao início desta temporada (R$ 29,74), as cotações no interior gaúcho são 5% inferiores.
A expectativa é de que o mercado continue firme, tendo como balizador o preço de liquidação dos contratos de opção do governo. Por outro lado, a apreciação cambial dos últimos dias serve de alerta para que o produtor aproveite o bom momento para negociar, pelo menos parte da safra colhida. Mesmo porque, mantida a recuperação das cotações domésticas, deve ocorrer uma intensificação das aquisições de arroz do Uruguai e da Argentina. Além disso, depois da liquidação dos contratos, o mercado perde este referencial e volta a ser definido pelo posicionamento dos agentes privados.