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Mercado brasileiro de arroz retoma viés de alta

Data: 14/09/2009

O mercado doméstico de arroz mostrou recuperação e agora apresenta uma escalada moderada de alta moderada neste início de setembro. A saca de 50 quilos do casca é cotada próxima a R$ 27,20 no mercado gaúcho, o que corresponde a uma alta de 1% em relação ao início do mês e de 2% em frente à mínima apresentada em agosto (R$ 26,64).

Para o analista de SAFRAS & Mercado, Élcio Bento, isto mostra que o anúncio, na última semana de agosto, da antecipação dos contratos de opção pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), surtiu o efeito esperado de estancar a trajetória baixista do cereal.

Entre abril e julho de 2009, a Conab ofertou contratos de opção que permitiriam a venda de 878,55 mil toneladas de arroz para os estoques do governo, sendo 794,64 para produtores e cooperativas do Rio Grande do Sul e 83,92 mil toneladas de Santa Catarina. Deste volume, no primeiro estado houve demanda para 634 mil toneladas (80% do total) e, no segundo, de 19,5 mil toneladas (23% do total).

Numa situação hipotética em que o exercício das opções fosse integral, o incremento dos estoques públicos seria de 657,18 mil toneladas.

- O volume atual de arroz nos estoques do governo é de 610 mil toneladas. Então, após o final da entrega das opções, os estoques públicos iriam para 1,267 milhão de toneladas - explica.

Pelos números de SAFRAS & Mercado, tendo iniciado a temporada com 924 mil toneladas em estoques de passagem e produzido 12,7 milhões de toneladas, para manter o mesmo volume do início da temporada em reservas haverá a necessidade de o país importar um volume 350 mil toneladas superior às exportações.

- Se isso se comprovar, no pico da entressafra o governo precisará entrar no mercado com vendas para garantir o abastecimento. Isto se, de acordo com o que supomos, o exercício das opções fosse integral - comenta.

Se os estoques finais ficarem em 924 mil toneladas, as vendas governamentais teriam que ser de, no mínimo, 343 mil toneladas.

Por isso, o comportamento da balança comercial do cereal é de extrema importância. E, sendo assim, os preços internacionais e o câmbio ganham relevância na formação das cotações domésticas. No âmbito externo, após o anúncio de quebra de safra na Índia, mesmo num período de ingresso de colheita do Hemisfério Norte, o cereal mantém-se firme.

- Então, internamente, o mercado só não tem um suporte mais consistente devido ao comportamento cambial - frisa.



Fonte: SAFRAS