Em mais uma semana marcada por muita chuva no Sul do Brasil, região responsável por praticamente 70% da produção nacional de arroz, as primeiras lavouras do Litoral Norte do Rio Grande do Sul começaram a ser semeadas, dando início a safra 2009/10. De uma maneira geral, os produtores gaúchos estão otimistas pela recuperação dos preços de mercado do arroz nos últimos 20 dias, graças ao cenário internacional e às medidas governamentais, e pela recomposição dos níveis de água nas barragens, que permitirá repetir a área plantada no ano passado.
Ainda precisa chover mais para garantir água para a irrigação, principalmente na região da Campanha, mas há boas perspectivas, segundo os centros de pesquisa climatológica. Com a água garantida, a preocupação agora é que ocorram alguns dias sem chuvas até 10 de novembro, quando o Rio Grande do Sul deve estar com 70% da lavoura formada.
Na semana que passou a Conab divulgou novo levantamento de safra, indicando produção de 12.634,4 t de arroz no País. Segundo a Conab, o suprimento total do Brasil, somando o estoque inicial, as importações e a produção devem somar 14.515,7 t, contra uma demanda de 13.550,0 t, somando consumo e exportações. O estoque de passagem em 28 de fevereiro de 2010, portanto, seria de 965,7 t.
PREÇOS
O indicador Cepea/Esalq/USP e BM&F – Bovespa sinalizou cotação média de R$ 27,67 para a saca de arroz de 50 quilos (58x10) nesta sexta-feira no Rio Grande do Sul. A alta acumulada em setembro chega a 3%, mesmo índice de queda registrado em todo o mês de agosto no Rio Grande do Sul. O valor remonta as cotações finais de julho. Em dólar, a saca de arroz foi cotada a US$ 15,15 nesta sexta-feira, com alta acumulada de 6,49%.
Na semana de 08 a 11 de setembro, o indicador apresentou alta constante e média de preços em R$ 27,52, com variação de 2%. Nas cotações em dólar, a semana foi de alta ainda mais expressiva, em razão das oscilações do câmbio, somando 4,8%. Assim, uma saca de arroz de 50 quilos alcançou cotação média de US$ 15,06. A confirmação dos recursos e regras para a antecipação do exercício dos contratos de opção de arroz balizou o mercado em quase R$ 30,00, assegurando a valorização também no mercado livre.
Na semana que passou houve um pouco mais de oferta por parte do produtor, expectativa mantida para a próxima semana, em razão do vencimento de parcela do custeio. A pressão, no entanto, não será tão significativa, pois muitos produtores anteciparam a quitação em agosto, para garantir acesso a novo financiamento para a safra 2009/10. O período de liquidação do contrato de opção pelo arrozeiro vai de 16 a 30 de setembro, com preço referencial de R$ 29,85 para a saca de arroz com 50-59% de inteiros.
No mercado livre do Rio Grande do Sul, os preços médios do arroz em casca oscilaram entre R$ 26,75 e R$ 27,75 na maioria das praças, exceto em tradicionais mercados diferenciados e com produtos de qualidade superior, como o Litoral Norte e algumas regiões da Fronteira. Variedades nobres com alto rendimento de engenho asseguram cotações até superiores a R$ 30,00 nestas regiões.
Em Santa Catarina, as médias de preços do arroz esta semana oscilaram entre R$ 27,75 R$ 29,00 no Sul do estado, acompanhando a reação do mercado gaúcho.
No Mato Grosso, o mercado se mantém estável, com expectativa de ajustamento na próxima safra. Há uma tendência de muitos produtores de arroz buscarem ampliação da área de soja, cultura que também deverá avançar sobre áreas de outras culturas, como o milho. Neste estado, a ocorrência do “El Niño” também preocupa para a produção de arroz. O mercado manteve-se na faixa de R$ 28,00 a R$ 29,00 nas principais praças produtoras.
BENEFICIADO
A saca de 60 quilos do arroz agulhinha, tipo 1, beneficiado, posto em São Paulo, manteve-se com cotação média de R$ 69,25, ICMS incluso, variando da mínima de R$ 65,75 até R$ 74,70. Valores negociados com prazo. O fardo de 30 quilos do tipo 1 elevou a cotação média para R$ 37,90 variando de R$ 35,75 a R$ 47,00 no caso de produtos superiores.
CORRETORA
A Corretora Mercado indicou alta nos preços médios da saca do arroz em casca no Rio Grande do Sul. Aponta referencial de R$ 27,50 para a saca de 50 quilos (58x10), em casca, com alta de 50 centavos. O beneficiado, em 60 quilos, manteve a cotação de R$ 55,00. Nos subprodutos, o canjicão manteve R$ 27,00, a quirera R$ 21,00 e o farelo de arroz segue cotado a R$ 280,00 por tonelada.
INTERNACIONAL
O mercado internacional apresentou ligeira baixa em agosto, tendência que deve ser revertida já neste mês segundo os analistas, em razão da expectativa de quebra significativa (acima de 20%) da safra indiana, de estiagem na China e no Leste Asiático e na África, também em razão do fenômeno “El Niño”. Especialistas no mercado internacional, da FAO e do USDA (EUA), do IRRI (Filipinas) e do Cirad, da França, anunciam expectativa de retração nas exportações deste final de ano nos principais fornecedores mundiais, o que deve elevar os preços internacionais e aumentar a demanda por importações dos países que dependem deste mercado. O Mercosul, como bloco exportador, poderá obter bons resultados se for confirmada esta tendência.
EXPORTAÇÃO
O relatório divulgado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio nesta semana, informou que o Brasil exportou 73 mil toneladas de arroz (base casca) em agosto, contra 74 mil toneladas importadas. No ano o Brasil já somou 559,9 mil toneladas exportadas contra 421,5 mil toneladas importadas, com um superávit de 138,4 mil toneladas na balança comercial. Faltam apenas 40 mil toneladas para que o país alcance a meta de exportação indicada pela Conab, de 600 mil toneladas (base casca), volume que deverá ser reajustado no quadro de oferta e demanda do próximo levantamento de safra da companhia para pelo menos 800 mil toneladas. A Conab previa a entrada de 800 mil toneladas de importação no ano 2009/10 no Brasil, mas também deverá rever seus números para baixo. Assim, há uma tendência dos estoques de passagem ficarem ainda mais apertados do que os atualmente indicados pela companhia, em 965,7 mil toneladas. Não se descarta a possibilidade da Conab também mexer nos quadros de produção e, principalmente, consumo, no ajustamento dos números na virada para 2010.
Até agosto, 73,5% das exportações brasileiras tiveram o continente africano como destino, enquanto 12,9% do arroz seguiu para a Europa, 9,2% para a América do Sul, 2% para a América Central, 1,2% para o Oriente Médio, 0,6% para a Ásia e 0,5% para a América do Norte. Benin, África do Sul, Nigéria, Senegal e Venezuela são os maiores compradores do arroz nacional. Do total exportado, 59,8% é de produto beneficiado, principalmente parboilizado, 31,8% de quebrados, farinha e farelo, 5,3% em casca e 3% descascado. De março a agosto de 2009, o Brasil já faturou US$ 171.418.283,00 com a venda externa do grão.
Uruguai (47,5%), Argentina (32,1%), Paraguai (20,2%) representam 99,8% dos fornecedores de arroz nas importações brasileiras. O quarto fornecedor para o mercado brasileiro é a Itália, com 0,2% do total das 421,5 mil toneladas importadas, contribuindo principalmente com arroz arbóreo. O país já investiu US$ 122.183.921,00 na compra de arroz de fevereiro a agosto de 2009, sendo que 58,3% é produto beneficiado, 31,6% é descascado, 9,9% em casca e 0,1% de quebrados, farinha e farelo.