O mês de setembro trouxe a chuva para recompor o nível de água das barragens do Rio Grande do Sul, responsável por mais de 60% da produção de arroz do Brasil e, coincidentemente, o início da recuperação dos preços, depois de quedas sistemáticas a partir do final de julho.
O indicador Cepea/Esalq/USP e BM&F – Bovespa, sinalizou cotação média de R$ 27,19 para a saca de arroz de 50 quilos (58x10) nesta sexta-feira no Rio Grande do Sul. A alta acumulada em setembro chega a 1,19%. O valor remonta as cotações da primeira quinzena de agosto, quando os preços cumpriam rota de queda.
Na semana de 31 de agosto a quatro de setembro, o indicador apresentou média de preços em R$ 26,98, com variação de 0,9%. Nas cotações em dólar, setembro foi ainda mais positivo, em razão da valorização do Real e dos preços do grão, com a saca alcançando cotação média de US$ 14,77. No mercado livre gaúcho houve baixa oferta de produto e a indústria também não saiu muito a campo em busca de grão.
A antecipação dos contratos de opção de arroz é uma das principais razões deste comportamento. Ao que tudo indica, a pressão pelo vencimento acumulado de dívidas, renegociações, custeio e compra de insumos de agosto, reduziu. O período de liquidação do contrato de opção pelo arrozeiro vai de 16 a 30 de setembro, com preço referencial de R$ 29,85 para a saca de arroz com 50-59% de inteiros.
No mercado livre do Rio Grande do Sul, os preços médios do arroz em casca oscilaram entre R$ 26,50 e R$ 27,00, dependendo da praça e do padrão, exceto em mercados com diferenciais de qualidade, onde as cotações chegaram a R$ 30,00 por variedades nobres e produto de alto rendimento, principalmente negociados no prazo.
Em Santa Catarina, as médias de preços do arroz esta semana oscilaram entre R$ 27,50 R$ 29,00 no Sul do estado. No Mato Grosso do Sul, o mercado se mantém estável, apesar da tendência de redução de área para a próxima safra, dando lugar à ampliação das lavouras de soja, o que poderia aquecer um pouco mais os negócios. Há uma expectativa de que nos próximos meses a indústria busque uma formação de estoques para enfrentar os compromissos de 2010, tendo em vista a expectativa de baixa produção. Ainda assim, é lógico que o setor aguardará que o perfil de produção seja definido, com o início do plantio, antes de formar sua estratégia de compra. O mercado manteve-se na faixa de R$ 28,00 a R$ 29,00 nas principais praças produtoras.
BENEFICIADO
A saca de 60 quilos do arroz agulhinha, tipo 1, beneficiado, posto em São Paulo, registrou leve valorização, com cotação média de R$ 69,30, ICMS incluso, variando da mínima de R$ 65,70 até R$ 74,50. Valores negociados com prazo. O fardo de 30 quilos do tipo 1 elevou a cotação média de 37,50 para R$ 37,85 variando de R$ 35,70 a R$ 45,15 no caso de produtos mais elaborados ou de padrão “extra”.
CORRETORA
A Corretora Mercado indicou alta nos preços médios da saca do arroz em casca no Rio Grande do Sul. Aponta referencial de R$ 27,00 para a saca de 50 quilos (58x10), em casca, com alta de 70 centavos na semana. O beneficiado, em 60 quilos, manteve a cotação de R$ 55,00. Nos subprodutos, o canjicão manteve R$ 27,00, a quirera R$ 21,00 e o farelo de arroz segue cotado a R$ 280,00 por tonelada.