Apesar das boas notícias do mercado internacional e do aporte de recursos e mecanismos do governo federal, os preços do arroz fecharam a quarta semana do mês de agosto com queda acumulada de 3,35% sobre as cotações praticadas em julho. Segundo o indicador Cepea/Esalq/USP e BM&F – Bovespa, a cotação da saca de arroz em casca, de 50 quilos (58x10), colocada na indústria gaúcha, foi comercializada nesta sexta-feira por R$ 26,82.
A semana encerrou melhor do que iniciou, quando as cotações chegaram a R$ 26,60 e as perdas acumulavam 4,2%. Em dólar, a queda foi maior: 4,23%, com os preços, em razão das oscilações do mercado e do câmbio, caindo de US$ 14,50 para US$ 14,25. A média semanal das cotações ficou em R$ 26,75, ou 0,11% maior do que na semana anterior, quando chegou a R$ 26,72.
A semana foi marcada por uma oferta mais ajustada dos produtores e o anúncio do governo federal de liberação dos recursos para antecipação do exercício dos contratos de opção para 1º de setembro. O período de liquidação do contrato vai de 16 a 30 de setembro, com preço referencial de R$ 29,85 para a saca de arroz com 50-59% de inteiros. O mecanismo é apropriado para o momento, mas expõe novamente uma situação recorrente e de difícil solução no mercado brasileiro. O governo adquire arroz do produtor buscando reduzir os prejuízos do setor e recompor os estoques reguladores, mas ao mesmo tempo arma uma bomba relógio com alto volume de produto em seus armazéns, prontos para voltar ao mercado diante de qualquer sinal mais consistente de elevação. Principalmente em se considerando que 2010 é ano eleitoral.
A expectativa é de que pelo menos até o feriadão de 7 de setembro os preços se mantenham próximos destes patamares, com a comercialização mais travada em razão da retração da oferta pelos produtores. O problema é que o veranico fora de época, em agosto, permitiu que muitos arrozeiros colocassem em dia o preparo da terra, embora o nível das barragens ainda se mantenha abaixo da média.
A tendência é de que muitos produtores arrisquem a plantar, em setembro, baseados na expectativa de muitas chuvas em setembro e outubro, causadas pelo fenômeno climático “El Niño”. Assim, para garantir o plantio em setembro/outubro e ainda os compromissos com custeio vencido, até para poder contratar o novo, ainda há o risco de aquecimento da oferta.
No mercado livre do Rio Grande do Sul, os preços médios do arroz em casca oscilaram entre R$ 26,00 e R$ 27,00, dependendo da praça e do padrão, exceto em mercados com diferenciais de qualidade, onde as cotações chegaram a R$ 29,00 por variedades nobres e produto de alto rendimento.
Em Santa Catarina, as médias de preços do arroz esta semana oscilaram entre R$ 27,00 R$ 28,00 no Sul do estado. No Mato Grosso do Sul, o mercado se mantém com baixa procura pela indústria e preços médios entre R$ 27,00 e R$ 29,00. Nota-se, entre os produtores, certo desinteresse na cultura em razão da elevação dos preços da soja e a baixa demanda da indústria.
BENEFICIADO
A saca de 60 quilos do arroz agulhinha, tipo 1, beneficiado, posto em São Paulo, registrou cotação média de R$ 69,00, com ICMS incluso, variando da mínima de R$ 65,50 até R$ 74,30. Valores negociados com prazo. O fardo de 30 quilos do tipo 1 manteve cotação média de 37,50, variando de R$ 35,50 a R$ 45,00 no caso de produtos mais elaborados ou de marca “forte” e padrão “extra”.
CORRETORA
A Corretora Mercado indicou queda nos preços médios do arroz no Rio Grande do Sul, apontando o referencial de R$ 26,30 para a saca de 50 quilos (58x10), em casca, com baixa de 20 centavos na semana. O beneficiado, em 60 quilos, é cotado em R$ 55,00, com queda de R$ 1,50. Nos subprodutos, o canjicão manteve R$ 27,00, a quirera perdeu R$ 1,00 na saca, chegando em R$ 21,00 e o farelo de arroz continuou cotado a R$ 280,00 por tonelada.