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Preço do arroz gaúcho acumula perdas em agosto

Data: 25/08/2009

O preço do arroz em casca gaúcho, principal referencial para o mercado brasileiro, acumula perdas nos primeiros dias de agosto. Na média, a saca é cotada a R$ 27,04, queda de 2,5% frente à abertura do mês. Em relação ao mesmo período de julho, a retração é de 3,7%. No acumulado de agosto, a desvalorização atinge 1,4% frente à média de julho. Na comparação com o mesmo período de 2008, a desvalorização é ainda maior, chegando a 17,8%.

Depois de esboçar uma recuperação consistente entre o início de junho e a primeira quinzena de julho, o mercado passou a devolver parte dos ganhos.

- Apesar dos fundamentos não justificarem, a atual retração deve-se ao posicionamento dos agentes, com uma maior presença de oferta em relação à demanda - explica o analista de SAFRAS & Mercado, Élcio Bento.

A proximidade de vencimentos e a necessidade de fazer caixa para investir na safra nova levaram a um maior interesse dos vendedores em negociar. Na outra ponta, as indústrias seguem sem necessidade de aquisições imediatas.

- Isso tudo vem ocorrendo num momento em que a moeda brasileira aprecia, tornando as importações mais acessíveis e dificultando o escoamento via exportações - ressalta.

Pelos números do quadro de oferta e demanda, este movimento de contração deve ser pontual.

- Espera-se que, passada esta necessidade de venda, as pontas de compra e venda se ajustem e o preço volte a reagir - prevê.

Conforme Bento, para manter o nível de estoques no mesmo patamar da temporada anterior, o Brasil precisa ser importador líquido de 300 mil toneladas neste ano comercial.

Os principais fatores a serem acompanhados e que podem interferir no rumo das cotações são: os preços internacionais, o comportamento cambial e o desempenho da balança comercial do cereal no Brasil. No âmbito externo, apesar do início da colheita no hemisfério norte, em Chicago o arroz mantém firmeza nas cotações.

De fevereiro até o final da primeira quinzena de julho, o cereal, base primeiro contrato, era negociado próximo a US$ 250.00 a tonelada. Depois disso, iniciou uma recuperação e, nesta primeira semana de agosto, foi cotado em torno de US$ 300.00 a tonelada.

- Esta elevação internacional reduz, em parte, o reflexo da apreciação da moeda brasileira em relação ao dólar - frisa o analista.