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Queda menor na terceira semana de agosto

Data: 25/08/2009

Mesmo com uma semana de boas notícias, com o Brasil voltando a bater recordes de exportação, os preços internacionais em alta e uma drástica redução na oferta mundial a partir da expectativa de queda de 99,5 para 84,1 milhões de toneladas na safra da Índia, o mercado interno brasileiro viveu mais uma semana de baixa nos preços do arroz. A queda produtiva no País hindu ocorre em razão insuficiência das chuvas levadas pelas monções para 10 dos principais estados produtores, que reduzirão a superfície semeada.

Assim, a oferta de arroz não-basmati para o mercado internacional não deve passar de 1,5 milhões de toneladas, diante de uma expectativa inicial do USDA e da FAO de exportações na casa de 4 milhões de toneladas por este País asiático. A tendência de queda nas vendas externas indianas já era antecipada por Planeta Arroz no início de julho, com base em entrevista com o analista internacional Patrício Méndez del Villar, da França.

Com o cenário pintado pelo USDA no relatório divulgado esta semana, os preços internacionais do arroz devem se manter valorizados, o que dá maior fôlego para o Brasil. Também é previsto o aumento da demanda do produto norte-americano, cujos excedentes exportáveis são 50 mil toneladas menores do que em 2008. A demanda pelo produto Uruguai e Argentino, com maior tradição como exportadores mundiais, também deve aumentar. Isso deve manter o foco destes tradicionais exportadores em terceiros mercados além do Brasil, bem como as cotações internacionais mais atraentes. A valorização do Real frente ao Dólar segue sendo um fator limitante às exportações brasileiras.

CENÁRIO

Numa primeira análise, o cenário do mercado interno brasileiro não é dos piores, com quadro de oferta e demanda bastante ajustado, bom volume de exportações, mercado internacional em alta, previsão de safra ajustada em razão dos melhores preços da soja e do milho no Centro-Oeste e dos baixos estoques de água para irrigação no Sul e em parte da Argentina e do Uruguai. Há ainda a novidade de que o governo federal deverá facilitar a antecipação dos contratos de opção de outubro e lançar novos leilões com vencimento em novembro, além de liberar recursos para o mecanismo que o mercado convencionou chamar de “PROP-Exportação”. São boas novas que devem ser confirmadas a partir do anúncio, nesta sexta-feira, da liberação de mais 1,5 bilhão para suporte à comercialização de grãos no País.

Então os preços do arroz deveriam estar em patamares compatíveis com os custos de produção e gerando rentabilidade aos produtores, certo? Deveriam, mas não estão. Ocorre que no meio do caminho há um obstáculo chamado “liquidez”. Os produtores gaúchos, que são o referencial para o mercado nacional, enfrentam um sério problema de liquidez, com vencimentos de custeio da safra 2008/09 desde o dia 12 de agosto até a próxima sexta-feira (28/8). Somam-se a estes, os vencimentos dos Empréstimos do Governo Federal (EGFs). E, além disso, há uma série de compromissos como Pesa, Securitização e outras dívidas renegociadas pelos agricultores.

Não bastassem estas circunstâncias, o plantio da próxima safra começa em menos de 30 dias em algumas regiões e, em julho e agosto, o produtor gaúcho aumentou a oferta de produto em busca de dinheiro para comprar insumos. O resultado pode ser visto no comportamento das últimas cinco semanas de queda nas cotações do arroz nos principais mercados nacionais – Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Santa Catarina – com evidentes reflexos ao longo da cadeia produtiva. Claro, de forma mais impactante aos produtores e à indústria e de forma menos significativa para o varejo e os consumidores. Estes, sim, praticamente não percebem as oscilações do mercado para baixo. Mas, são os primeiros a sentirem quando o preço aumenta.

COTAÇÕES

Diante de todo este cenário, a redução nas cotações da saca de 50 quilos do arroz em casca (referência 58x10), no Rio Grande do Sul, já acumula queda de 4,16% em agosto, chegando à média de R$ 26,60 nesta sexta-feira, segundo o indicador Cepea/Esalq/USP e BM&F – Bovespa. A queda na semana foi de 30 centavos por saca. Do dia 31 de julho até o dia 21 de agosto, a desvalorização foi de R$ 1,85 para 50 quilos. As cotações atuais voltaram aos patamares da primeira quinzena de junho. A média semanal, segundo o Cepea, foi de R$ 26,72, com queda de 1,37% sobre a semana anterior, cuja média foi de R$ 27,09.

Em dólar, na sexta-feira (21/8) a cotação do arroz pelo indicador Cepea chegou a US$ 14,53, com média semanal de US$ 14,47, depois de alcançar o pico de US$ 15,03 no dia 7 de agosto. Na semana anterior, a média era 2 centavos de dólar maior.

Dados do Cepea indicam que apesar dos produtores estarem vendendo lentamente seus lotes de arroz em casca nas últimas semanas, especialmente do arroz “livre”, as beneficiadoras gaúchas pressionaram as cotações do cereal em casca. Segundo agentes da indústria, a fraca venda ao setor atacadista e a dificuldade no repasse das altas do produto em casca ao beneficiado têm desmotivado as compras junto ao produtor.

O posicionamento dos produtores gaúchos é determinante para este cenário de preços em retração, com uma oferta de produto acima do que vem sendo demandado pela indústria.


REDUÇÃO DE ÁREA

Ainda assim, as notícias de falta de chuvas e redução significativa de área no estado gaúcho, que vêm sendo propagadas por alguns setores da produção, tornam-se “uma faca com dois gumes”: enquanto alguns acreditam que isso poderá refletir imediatamente nos preços, é certo que historicamente essa estratégia gera reflexos.

Os principais concorrentes no mercado brasileiro e internacional, Centro-Oeste e Mercosul, costumam motivar seus produtores a partir da informação de que o Rio Grande do Sul reduzirá a área plantada. O resultado é um excesso de oferta no ano seguinte com prejuízos para todos. Até o momento, apesar de o nível das barragens estar realmente abaixo da média, os meteorologistas confirmam tendências de setembro e outubro chuvosos, pelo impacto inicial do fenômeno climático “El Niño”. Assim, as barragens devem se recompor. O que não está descartado é o atraso de plantio em algumas regiões, principalmente na Depressão Central e na Zona Sul.

A indústria segue pressionada entre o varejo e o produtor e, estrategicamente, só compra matéria-prima em condições favoráveis. No mercado livre do Rio Grande do Sul, os preços médios do arroz em casca oscilaram entre R$ 26,50 e R$ 27,00, com preço mais comum abaixo dos R$ 26,50 ao produtor em pólos como Alegrete, Cachoeira do Sul, Dom Pedrito, Santa Maria, Guaíba, Pântano Grande e Rosário do Sul. A indústria, nos principais pólos de beneficiamento, paga em média entre R$ 26,50 e 27,50. No Litoral Norte as cotações se mantêm entre R$ 29,00 e R$ 29,50 para as variedades nobres e produto de 64x4 acima com negócios lentos. Ainda na região, a variedade 422CL e similares, indica cotações entre R$ 27,00 e R$ 28,00, dependendo do padrão.

Alguns analistas já arriscam apostar na inversão da tendência de baixa, para a retomada de preços melhores no início de setembro, um cenário que ainda não está totalmente definido. Setembro e outubro ainda serão meses pressionados pelos vencimentos de custeio e EGFs, além da demanda por recursos para a infra-estrutura de plantio da nova safra.

ESTADOS

Em Santa Catarina, as médias de preços do arroz esta semana oscilaram entre R$ 26,75 e R$ 29,00, dependendo da região. No Mato Grosso do Sul, o mercado se mantém com baixa procura pela indústria e ofertado por parte do produtor. A indústria compra apenas o que repassa para a demanda do varejo, mantendo estoque mínimo. No entanto, o indicativo de uma possível redução na próxima safra, em razão dos preços melhores da soja e do milho, podem forçar as beneficiadoras a aumentarem as compras e formarem gradativamente o seu estoque para 2010, durante os próximos meses.

BENEFICIADO

A saca de 60 quilos do arroz agulhinha, tipo 1, beneficiado, posto em São Paulo, registrou cotação média de R$ 69,50, com ICMS incluso, variando da mínima de R$ 66,00 até R$ 75,00. Valores negociados com prazo. O fardo de 30 quilos do tipo 1 manteve cotação média de 37,50, variando de R$ 36,00 a R$ 39,00.

CORRETORA

A Corretora Mercado indicou nova queda nos preços médios do arroz no Rio Grande do Sul, apontando o referencial de R$ 26,50 para a saca de 50 quilos (58x10), em casca, com baixa de 30 centavos na semana. O beneficiado, em 60 quilos, é cotado em R$ 56,50, com queda de R$ 1,50 na cotação. Nos subprodutos, o canjicão manteve R$ 27,00, a quirera R$ 22,00 a saca e o farelo de arroz os R$ 280,00 por tonelada.



Fonte: Planeta Arroz