O mês de agosto manteve sua trajetória de baixa nos preços do arroz, apesar de informações positivas importantes como a previsão da Conab de que o Brasil terá o menor estoque de passagem em 10 anos, ao final deste ano-safra (950 mil toneladas), que julho bateu recorde em exportações do grão e que a Índia não deverá voltar tão cedo a ofertar arroz no mercado internacional, o que garante algumas posições brasileiras e abre espaço para o produto nacional em diversos destinos. Uma pequena valorização das cotações internacionais reduzem os efeitos da desvalorização do dólar ante o Real.
O posicionamento dos produtores gaúchos é determinante para este cenário de preços em retração, com uma oferta de produto acima do que vem sendo demandado pela indústria. O estado, com 60% da produção nacional, é referencial de preços e comercialização para o País e o Mercosul, que exporta mais da metade de seus excedentes para o Brasil. Segundo o indicador Cepea/Esalq/USP e BM&F-Bovespa, a saca de 50 quilos de arroz em casca atingiu a R$ 26,96,o menor preço desde o dia 29 de junho, quando as cotações passaram de R$ 26,43 para R$ 27,04.
O indicador aponta uma queda acumulada de R$ 2,88% nos preços do arroz em casca nesta primeira quinzena. Em dólar, na sexta-feira a cotação do arroz pelo indicador Cepea chegou a US$ 14,55, depois de alcançar US$ 15,03 no dia 7 de agosto. Na semana, a média das cotações foi de R$ 27,09, com variação negativa de 1,74%. Em dólar, a saca de arroz gaúcho nos padrões já citados alcançou US$ 14,77.
A oferta de arroz por parte dos produtores não ocorre sem razão. Basicamente o segmento produtivo precisa de liquidez por três razões: quitar parcela do custeio da safra passada, quitar parcela de dívidas históricas renegociadas e a formação da próxima lavoura. O veranico desta semana levou muitas máquinas para os últimos retoques na lavoura antes do período de plantio, que começa, em algumas regiões, em 30 dias. Com o Real valorizando frente ao dólar norte-americano, também cresce o temor dos produtores de que as importações aumentem consideravelmente a partir de setembro, principalmente da Argentina.
A indústria, que ainda nem conseguiu repassar integralmente a alta do arroz entre junho e julho, está comprando gradualmente e dando preferência para produto depositado ou de alta qualidade – exceto para exportação que tem seu forte em matéria-prima para parboilização. Todavia, o enfraquecimento das cotações para o produtor gerou aumento da pressão do varejo por preços mais “atrativos”, praticamente espremendo a indústria entre dois elos fortes desta cadeia produtiva: produção e varejo.
O caso é ainda mais complicado para as pequenas e médias empresas. Ou seja, quando a matéria-prima encarecia o varejo não aceitava e protelava ao máximo a valorização do produto à indústria e, com a queda dos preços da matéria-prima ao produtor, exige repasse imediato da baixa em forma de desconto.
PREÇOS
No mercado livre do Rio Grande do Sul, os preços médios do arroz em casca oscilaram entre R$ 26,75 e R$ 27,25, com preço mais comum abaixo dos R$ 27,00 ao produtor nas principais praças, como Alegrete, Cachoeira do Sul, Dom Pedrito, Restinga Seca, Rosário do Sul. O produto depositado ou colocado na indústria alcançou até R$ 28,00 em praças como Camaquã, Pelotas, Itaqui, São Borja e Uruguaiana, de acordo com a qualidade, padrão e volume. No Litoral Norte, cotação média de R$ 29,50 para as variedades nobres e produto de 64x4 acima, com bom volume de negócios. Ainda na região, a variedade 422CL e similares, tem cotações entre R$ 26,50 e R$ 28,00 dependendo do padrão.
Em Santa Catarina, as médias de preços do arroz oscilaram entre R$ 27,00 e R$ 28,00, dependendo da região. No Mato Grosso do Sul, o mercado manteve-se ofertado e com negócios pontuais confirmados na faixa de R$ 28,00 a R$ 29,00 dependendo da região e o padrão do produto. A indústria compra da mão pra boca e há maior demanda de empacotadoras paulistas e estados vizinhos para o Cirad, de melhor qualidade, pois já está “dando panela”, após alguns meses de descanso. Neste caso, a cotação anda na casa de R$ 25,00 a R$ 27,00.
BENEFICIADO
A saca de 60 quilos do arroz agulhinha, tipo 1, beneficiado, posto em São Paulo, registrou cotação média de R$ 70,15, com ICMS incluso, variando da mínima de R$ 66,50 até R$ 77,00. Valores negociados com prazo. O fardo de 30 quilos do tipo 1 manteve cotação média de 37,50, variando de R$ 36,00 a R$ 39,00.
CORRETORA
A Corretora Mercado indicou queda nos preços médios do arroz no Rio Grande do Sul, apontando o referencial de R$ 26,80 para a saca de 50 quilos (58x10), em casca. O beneficiado, em 60 quilos, é cotado em R$ 58,00. Nos subprodutos, o canjicão manteve R$ 27,00, a quirera R$ 22,00 a saca e o farelo de arroz valorizou R$ 20,00, passando de R$ 260,00 para R$ 280,00 a tonelada.