Agroplan



Preços internacionais ligeiramente mais altos

Data: 10/08/2009

Em julho, os preços mundiais confirmaram a subida observada no final de junho devido a uma redução das disponibilidades exportáveis, sobretudo na Tailândia e nos Estados Unidos. A Índia finalmente prolongou as medidas de limitação às exportações de arroz não aromáticos devido às más condições climáticas (chuvas tardias). Com isto, as perspectivas de quedas fortes dos preços mundiais nos próximos meses parecem enfraquecer. Mesmo assim, não são esperadas altas significativas, já que as disponibilidades exportáveis, em sua maioria, deveriam ser satisfatórias em 2010.

Em julho, o índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) se manteve estável em 229,5 pontos (base 100 = janeiro 2000) contra 229,3 pontos em junho.


PRODUÇÂO E COMÉRCIO MUNDIAL

Em 2009, segundo estimativas da FAO, a produção mundial deveria alcançar um nível recorde de 696 milhões de toneladas de arroz em casca (465Mt na base arroz branco) graças ao aumento da produção na maioria das regiões do mundo. O salto dos preços mundiais em 2008 e as medidas de incentivo públicas tivram um impacto positivo sobre o crescimento das áreas arrozeiras, que subiram 2,2% para 159 milhões de hectares. As produtividades médias aumentaram 1,3% para 4,3 t/ha, apesar do elevado custo energético e dos insumos.

O comércio mundial em 2009 deve aumentar ligeiramente para 31Mt depois da queda de 5% em 2008. Com a queda das exportações indianas, se observa a emergência de novos países exportadores, que poderiam ver consolidadas suas posições nos próximos anos, como por exemplo Brasil e Camboja. Quanto às necessidades de importação, essas deveriam ser mais limitadas em 2010.

Os estoques mundiais no final de 2009 foram revisados para 120Mt contra 109Mt em 2008, alta de 7%. Estas reservas representam 26% das necessidades mundiais contra 24,5% en 2008.

Mercado de exportação

Na Tailândia, os preços se mantiveram firmes. O governo demora para liberar os estoques públicos, o que tem impactado os preços de exportação. Dentre as conseqüências, as exportações de 2009 devem cair para 8,5Mt contra 10Mt em 2008. Nos próximos anos, se estima que a Tailândia pode perder mercados frente ao Vietnã e a outros países exportadores emergentes.

Em julho, o Tai 100%B marcou US$ 580/t Fob contra US$ 566 em junho. O quebrado A1 Super ficou estável a US$ 318/t contra US$ 317/t em junho.

No Vietnã, os preços de exportação caíram 4% em um mês. É a terceira queda consecutiva. Os preços mais competitivos tendem a reativar as exportações vietnamitas as quais têm incrementado 50% em relação ao ano passado, na mesma época. Tendo em conta os novos contratos, as exportações poderiam alcançar este ano cerca de 6Mt contra 4,7Mt em 2008. Nos próximos anos, o Vietnã poderia se tornar o principal exportador mundial. Em julho, o Viet 5% marcou US$ 413/t contra US$ 429/t em junho. O Viet 25% baixou US$ 15 para US$ 356/t contra US$ 371 em junho.

No Paquistão, os preços se encontram estáveis. Os objetivos de exportação em 2009 foram revisados para baixo por causa da falta de água, o que poderia provocar uma redução da produção 2009/10 e das disponibilidades exportáveis. Em julho, o Pak25% marcou US$ 345/t, sem mudanças em relação a junho.
No final de julho, este marcaba US$ 340/t.

Na India, as autoridades nacionais reforçaram as medidas de queda das exportações de arroz não aromático. Esta decisão foi motivada por chuvas tardias, o que pode limitar a produção em 2009. Há incertezas sobre a reativação futura das exportações da Índia. Estas restrições, impostas desde dezembro de 2007, têm provocado a perda dos mercados externos, por exemplo nos países africanos que têm buscado outros fornecedores.

Nos Estados Unidos, os preços de exportação tendem a subir devido a disponibilidades mais escassas. As exportações devem cair um pouco para 3,15Mt contra 3,2MT em 2008. Na bolsa de Chicago, os preços futuros para setembro têm aumentado em função do improvável retorno massivo das exportações da Índia nos próximos meses. Em julho, o arroz Long Grain 2/4 marcou US$ 531/t contra US$ 525/t em junho.

No Mercosul, os preços de exportação se mantêm relativamente estáveis. No Brasil, os preços internos mostram certa estabilidade dentro de um mercado pouco ativo. A indústria trabalha atualmente com suas reservas e os produtores seguem apostando em preços mais atrativos para o fim de ano.

Na África, as importações devem ficar estáveis em 9,5Mt graças ao incremento da produção arrozeira. Em Madagascar, a produção poderia subir entre 25% e 30% em relação ao ano anterior. No Egito, se espera uma forte reativação das exportações, apesar do anuncio do governo de querer dobrar os impostos de exportação.

Artigo de Patrício Méndez del Villar, traduzido por Natural Soluções



Fonte: Planeta Arroz