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Agosto mantém tendência de queda do final de julho

Data: 10/08/2009

A primeira semana de agosto manteve a trajetória de baixa nos preços do arroz verificada na segunda quinzena de julho. Depois de alcançar o pico de valorização no final da primeira quinzena do mês passado, as cotações do arroz gaúcho iniciaram uma rota de queda que já alcança pouco mais de 3 semanas.

O indicador Cepea/Esalq/USP e BM&F – Bovespa, que acompanha os preços no mercado gaúcho registrou média de R$ 27,41 para a saca de arroz em casca de 50 quilos colocada na indústria (frete incluso).

Nos sete primeiros dias do mês, a baixa das cotações acumula 1,24%. Vale lembrar que em julho, apesar da inversão da tendência no final do mês, as cotações acumularam alta de 2,76%, depois de term alcançado mais de 3,6%. A média de preços do produto comercializado no Rio Grande do Sul na última semana foi de R$ 27,57. Na segunda-feira passada, as cotações indicavam média de R$ 27,75, ou seja, em cinco dias a queda foi de 34 centavos de Real por saca. Em dólar, o câmbio de Real valorizado elevou em 1,96% das cotações do arroz gaúcho esta semana, alcançando US$ 15,03 a saca/50kg.

Este comportamento preocupa à medida em que reduz a competitividade do produto nacional para a exportação – que ao final deste mês passa a sofrer uma concorrência mais forte dos Estados Unidos e da segunda safra asiática – e favorece a venda de arroz uruguaio e argentino, principalmente, ao Brasil em valores abaixo do mercado interno.

Em julho os preços internacionais tiveram ligeira alta, a partir do anúncio da Índia de que não irá retomar as exportações de grão não-basmati pelo menos até outubro. Essa segue sendo uma boa oportunidade para o Brasil consolidar alguns mercados, embora a certeza de que o País terá uma “janela” cada vez maior para vendas externas entre janeiro/fevereiro e agosto/setembro para arroz parboilizado, principalmente.

Segundo o informativo InfoArroz, do consultor Patrício Méndez del Villar, em julho, os preços mundiais confirmaram a subida observada no final de junho devido a uma redução das disponibilidades exportáveis, sobretudo na Tailândia e nos Estados Unidos. A Índia finalmente prolongou as medidas de limitação às exportações de arroz não-aromáticos devido às más-condições climáticas (chuvas tardias). Com isto, as perspectivas de quedas fortes dos preços mundiais nos próximos meses parecem enfraquecer.

- Mesmo assim, não são esperadas altas significativas, já que as disponibilidades exportáveis, em sua maioria, deveriam ser satisfatórias em 2010. Em julho, o índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) se manteve estável em 229,5 pontos (base 100 = janeiro 2000) contra 229,3 pontos em junho – relatou del Villar.

Ainda segundo o informativo, em 2009, segundo estimativas da FAO, a produção mundial deve alcançar o recorde de 696 milhões de toneladas de arroz em casca, pelo aumento de produção, impulsionado pelo salto nos preços mundiais em 2008. A área cresceu 2,2% no mundo, para 159 milhões de hectares e as produtividades médias aumentaram 1,3% para 4,3 t/ha.

Ainda com base na FAO, Patrício Méndez del Villar cita que o volume de comercialização internacional de arroz em 2009 deve aumentar ligeiramente para 31 milhões de toneladas. Com a queda na presença externa da Índia, Brasil e Camboja se habilitam a ocupar posições importantes entre os fornecedores de médio porte para o mercado internacional. Os estoques mundiais devem ter alta de 7% em 2009, por conta do aumento produtivo na maioria dos países, principalmente na Ásia. Saltam de 109 milhões de toneladas de arroz para 120 milhões. Essas reservas representam 26% das necessidades mundiais de arroz, contra 24,5% em 2008. Um pouco acima do desejável para manter o mercado aquecido.


MERCADO LIVRE

A queda dos preços no livre mercado gaúcho se deve principalmente ao aumento significativo da oferta dos produtores por dois motivos básicos: vencimento de custeios e dívidas prorrogadas e a demanda por dinheiro vivo para bancar os custos de pré-plantio, como aquisição de insumos, revisão das máquinas e ações de preparo tardio. Quem tem dinheiro na mão, faz a compra de insumos com vantagens sobre quem paga na safra e busca crédito em bancos ou diretamente com os fornecedores. Com a queda das cotações e algumas empresas saindo do mercado ou comprando apenas o arroz depositado em condições vantajosas, uma das alternativas ao produtor é antecipar os contratos de opção. O alongamento das férias escolares em razão da epidemia da “gripe suína”, que ainda pode ser ampliada até 1º de setembro em algumas regiões, também interfere no consumo, segundo dados históricos.

No mercado livre gaúcho as cotações se mantêm entre R$ 27,25 a R$ 27,50 nas principais praças de comercialização. Arroz depositado alcança até R$ 28,00 ou um pouco mais nos grandes centros de beneficiamento de Itaqui, Uruguaiana, Camaquã e Pelotas.

O Litoral Norte manteve comercialização de arroz das variedades nobres e mais de 63% de inteiros acima de R$ 30,00 a saca, com R$ 27,00 a R$ 27,50 para o 422CL e “similares”.

Em Santa Catarina, as médias de preços do arroz também oscilaram entre R$ 27,00 e R$ 28,50, dependendo da região. No Mato Grosso do Sul, o mercado manteve-se ofertado e com negócios pontuais confirmados na faixa de R$ 28,00 a R$ 30,00 dependendo da região e o padrão do produto.

SAFRA

Na última quinta-feira (6/8) a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgou o 11º Levantamento da Safra 2008/09, apontando uma produção final de 12,6 milhões de toneladas de arroz em todo o Brasil. A safra cresceu 4,7% sobre o ciclo passado, pelo aumento de área e produtividade no Mato Grosso e Rio Grande do Sul, principalmente, em razão dos preços praticados em parte do ano de 2008. A boa notícia é o menor estoque de passagem dos últimos 10 anos para 28 de fevereiro de 2010, em 970 mil toneladas, dos quais 590 são públicos. Estes números podem colaborar para uma ligeira estabilidade ou até recuperação dos preços de mercado, diante de um cenário de menor oferta, ao contrário do que ocorre neste momento.

Todavia, fatores como o câmbio desfavorável às exportações e muito atraente para as importações, podem ainda afetar estes números, bem como a própria indicação da Conab de que poderá aumentar seus estoques. O mecanismo a ser adotado e o tipo de ação, poderá impactar favorável ou desfavoravelmente no mercado. No momento, a preocupação do setor é o anúncio de que a companhia precisa vender estoques de grãos para sua capitalização e voltar a investir nos leilões e mecanismos de equalização de preços.

A colheita está finalizada nas principais regiões produtoras do País, registrando bons índices de produtividade média em comparação à safra 2007/2008.

No Rio Grande do Sul, a média de produtividade atingiu 7.150kg/ha, 3,6% acima da média registrado no ciclo anterior. Em Santa Catarina, apesar das adversidades climáticas as lavouras obtiveram em média 6.950 Kg/ha, o que é considerado recorde em toda a série histórica.

Na região Centro-Oeste, embora as precipitações pluviométricas tenham ocorrido de forma irregular, mais precisamente nos meses de novembro e dezembro de 2008, a colheita transcorreu normalmente, mostrando bom desempenho em produtividade.

Na região Nordeste (sul do Maranhão e sul do Piauí), a colheita está finalizada apresentando perdas em produtividade, motivada por fatores climáticos. A área total do País foi de 2,9 milhões de hectares, incremento de 1,2% em relação ao ciclo passado, de 2,87 milhões de hectares, com destaque para as regiões Centro-Oeste e Sul do País, que obtiveram ganhos da ordem de 13,6% e 2,5%, respectivamente.

BENEFICIADO

A saca de 60 quilos do arroz agulhinha, tipo 1, beneficiado, posto em São Paulo, registrou cotação média de R$ 70,25, com ICMS incluso, variando da mínima de R$ 67,50 até R$ 76,00.

CORRETORA

A Corretora Mercado manteve os preços, com referencial de R$ 27,50 para o arroz gaúcho em casca, saca de 50 quilos (58x10). O beneficiado, em 60 quilos, é cotado em R$ 58,00. Nos subprodutos, o canjicão perdeu valor, baixando R$ 1,00 para R$ 27,00. A quirera estabilizou R$ 22,00 a saca e o farelo de arroz se manteve em R$ 260,00 a tonelada.



Fonte: Planeta Arroz