As cotações de arroz em casca subiram em junho, devido principalmente à baixa oferta. Produtores gaúchos consultados pelo Cepea estiveram retraídos no correr do período, vendendo alguns lotes apenas quando houve necessidade de “fazer caixa”. Esses orizicultores alegam que os atuais preços pagos pela saca não cobrem os custos de produção da safra 2008/09.
Alguns produtores têm expectativa de alta nos preços no curto prazo, fundamentados no adiamento das parcelas de custeio, na disponibilidade de EGF (Empréstimo do Governo Federal) e na redução do ritmo de importação de arroz do Mercosul.
Nesse cenário, indústrias tiveram que elevar seus preços de compra para realizar negócios – esta posição foi adotada até mesmo por unidades que limitaram suas compras ao arroz depositado em seus armazéns. Segundo pesquisas do Cepea, na venda do beneficiado, empresas gaúchas relataram resistência do setor atacadista em absorver os reajustes dos preços do arroz em casca.
Em junho, o Indicador do Arroz CEPEA-ESALQ/BM&FBovespa (Rio Grande do Sul, 58 grãos inteiros) acumulou alta de 6,7%, fechando a R$ 27,04/saca 50 kg, no dia 30. Entre as principais regiões produtoras pesquisadas pelo Cepea no Rio Grande do Sul, o valor médio na Zona Sul registrou o maior aumento, de 8,89%. Na Campanha, as cotações subiram 8,55% no acumulado de junho; na Planície Costeira Interna, 7,58%; na Fronteira Oeste, 6,42%; e na Depressão Central, 2,7%.
De acordo com levantamento do Cepea na região da Fronteira Oeste (RS), os preços médios dos insumos agrícolas para a cultura do arroz caíram nos últimos 12 meses. Entre junho/08 e junho/09, os adubos Super Simples e MAP, bem como a uréia, desvalorizaram fortemente, 63,4%, 59,6% e 50%, respectivamente. Já a queda nos preços do cloreto de potássio foi menor entre junho de 2008 e 2009, acumulando baixa de 1,6%. O glifosato genérico, utilizado para o controle de plantas daninhas, também apresentou forte queda, de 46,5%. Já o Standak, para controle de insetos nos tratos culturais, foi o único insumo levantado pelo Cepea cujos preços tiveram alta, de 7,7%.
Vale lembrar que, em abril deste ano, a Conab divulgou estimativa de redução nos custos de produção do arroz no estado gaúcho para a safra 2009/10. Apesar de os insumos terem grande participação no cálculo dos custos, os gastos com a mão-de-obra, combustíveis, manutenção de máquinas e custos financeiros também pesam fortemente nas despesas totais da atividade.
Em Mato Grosso, o produtor também vendeu lentamente seus lotes de arroz em junho. No entanto, a indústria alegou dificuldade em absorver as altas no preço do arroz em casca, fundamentando que houve forte concorrência na venda do produto beneficiado em outros estados – o que evidencia a importância do mercado local. O arroz de 50/52 inteiros foi negociado entre R$ 27,00 e R$ 28,00/sc de 60 kg em junho; o arroz de 53 acima, entre R$ 28,00 e 29,00/sc. Em junho, o valor médio do arroz de 50 grãos inteiros acima foi R$ 28,00/sc 60 kg, estável se comparado ao de maio.
Relatório divulgado pela FAO em junho aponta que a produção mundial de arroz poderá se elevar em 4,3% na safra 2008/09, totalizando 460 milhões de toneladas (base em arroz beneficiado). Para a comercialização mundial, está estimada uma alta de 2,3% em 2009; o que justifica a elevação do estoque mundial na safra 2008/09, de 10% em relação à temporada anterior.
Análise sobre o mercado de arroz elaborado pelo Cepea.
Equipe: Profa. Sílvia Helena G. de Miranda, Maria Aparecida N. S. Braghetta e Ariane Sbravatti. (cepea@esalq.usp.br)
Diferenciais de Preços (Indicador e Praças)
Indicador CEPEA-ESALQ/BM&FBovespa
média mensal R$ 25,61/sc ou US$ 13,07/sc de 50kg
Preço Médio Mensal Diferencial (em valor)
Região R$ US$ R$ US$
Campanha 24,70 12,61 -0,91 -0,46
Depressão Central 24,97 12,74 -0,64 -0,33
Fronteira Oeste 25,31 12,92 -0,30 -0,15
Litoral Sul 26,04 13,29 0,43 0,22
Plan. Cost. Interna 26,53 13,54 0,92 0,47
Fonte: Cepea/Esalq
Nota: Diferencial = Região - Indicador (saca de 50 kg)