O arroz gaúcho encontrou um patamar referencial na casa dos R$ 28,00 para o produto colocado na indústria (frete incluso) na semana que passou, segundo dados do indicador Cepea/Esalq. Ao mesmo tempo, acreditando em alta ainda maior, os produtores demonstraram pouco interesse pelos leilões de contratos de opção da Conab.
Na semana, o indicador Cepea abriu cotando a saca de arroz de 50 quilos (58x10) posto na indústria em R$ 28,05, mesmo valor encontrado no encerramento da semana, sexta-feira, depois de oscilações de R$ 28,02 a R$ 28,07, o que indica a estabilidade e uma semana abaixo da expectativa para a comercialização de quem apostava em alta continuada. No acumulado do mês, segundo o Cepea/Esalq/USP e BM&F – Bovespa, há valorização da saca de arroz em 3,74%. Devemos lembrar que na sexta-feira anterior as cotações do arroz eram três centavos mais altas do que na sexta-feira mais recente.
Parte das indústrias que buscou produto mais avidamente nas últimas três semanas conseguiu abastecer-se. Ao mesmo tempo, o produtor segue retendo produto e aguardando uma alta maior para concretizar vendas de maiores volumes. O mercado também espera um aumento da oferta em razão da reta final de compra de insumos para preparação da próxima safra, quando o produtor necessariamente procura transformar seus estoques em liquidez para novos investimentos.
A semana também teve a expectativa do leilão de Contrato Público de Opção de Venda de arroz em casca da Conab, que negociou 33,13% dos contratos destinados ao Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Dos seis mil contratos ofertados, com 27 toneladas cada, apenas 1.988 foram negociados para os produtores gaúchos (35,8% da oferta ao estado). Santa Catarina não teve interesse. O prêmio de fechamento foi de R$ 81,94 por contrato ou R$ 0,15/50kg, que era o referencial de abertura. A operação totalizou R$ 162.896,72. Isso demonstra que o setor aposta em alta mais significativa no mercado livre, para o início de outubro, do que os R$ 30,25 sinalizados pelos contratos. As entidades do setor aguardavam um comportamento nestes níveis em razão da expectativa gerada pela alta do mercado.
Com este cenário de expectativa, os preços no mercado livre se mantiveram praticamente inalterados, com comercialização referencial na casa de R$ 27,50 nas principais praças gaúchas e, até R$ 28,50 para produto posto na indústria, ou já depositado. Variedades nobres alcançam até R$ 29,50 na Fronteira Oeste e até R$ 32,00 no Litoral Norte gaúcho, mas neste caso com mais de 64% de grãos inteiros. Noticia-se aumento da oferta de arroz uruguaio e argentino na fronteira gaúcha em razão das cotações acima dos 14 dólares, que se tornam atraentes para os países vizinhos. Este é um dos fatores que poderá puxar o freio dos índices de recuperação do arroz gaúcho, aliado ao período de compra de insumos para formação de lavoura, que gera um mercado mais ofertado, e também o vencimento das parcelas de custeio, que acumuladas, já iniciam a pressão por oferta nos silos arrozeiros.
A comercialização da indústria com o varejo teve leve aquecimento esta semana, mas com uma postura varejista forçando baixa de R$ 0,50 a R$ 1,00 por fardo, principalmente nas empresas de menor porte. Alguns analistas de mercado ainda acreditam que as cotações devem ser balizadas pelos contratos de opções e chegar a outubro na faixa de R$ 30,00. Não descartam, porém, um leve desaquecimento em razão da necessidade de ofertar dos produtores neste período crítico de formação de lavouras, de agosto/setembro.
BENEFICIADO
A saca de 60 quilos do arroz agulhinha, tipo 1, beneficiado, posto em São Paulo, manteve cotação média de R$ 69,00, com ICMS incluso, variando da mínima de R$ 65,80 até R$ 71,75. O tipo 2 alcança até R$ 64,55, mas opera em média a R$ 63,00. Já o fardo de 30 quilos de arroz beneficiado, do tipo 1, manteve valores entre R$ 37,25 a R$ 40,00. O parboilizado, tipo 1, é cotado entre R$ 39,00 e R$ 44,00, com média de R$ 41,50.
CORRETORA
A Corretora Mercado registrou baixa nos preços referenciais, de R$ 27,80 para R$ 27,50 no arroz gaúcho em casca, saca de 50 quilos e padrão para tipo 1. O beneficiado, em 60 quilos, subiu a cotação para R$ 58,00 nesta sexta-feira. Nos subprodutos, o canjicão manteve cotação em R$ 28,00, a quirera em R$ 22,00 a saca, e o farelo de arroz em R$ 260,00 a tonelada.